Filha és, mãe serás

Um dia, há muito tempo atrás, ainda eu não sonhava sequer que viria a abraçar a maternidade, a propósito de um comentário meio autocentrado que fiz a minha amiga ML respondeu-me apenas “pois, eu também gosto muito mais de ser filha do que de ser mãe”. Lembro-me que achei estranho e não entendi o significado daquela afirmação. 

Hoje, muitos anos passados, não podia ser mais claro. O que a ML , em jeito de pré aviso me dizia, é que para ser mãe é necessário abdicar um pouco da filha que há em nós. No fundo, fazer o luto dessa fase em que éramos apenas filhas de, protegidas pelas nossas mães e aprender a desempenharmos nós esse papel. Ou seja, a sair debaixo das asas da nossa mãe galinha, sacudir as penas e abrir as nossas, de par em par, para que os nossos filhos se refugiem debaixo delas. E isso requer crescer e abdicar do tempo em que éramos nós quem podia estar agarrado às saias da mãe porque passou a haver quem precise das nossas.

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