“Quem muda, Deus ajuda”

Por aqui os últimos dias têm sido vividos num virote de caixotes, roupa e utensílios embalados e pó, muito pó. Esta mudança não é uma mudança para uma casa nova, mas é quase como se o fosse. Entre nós, brincamos e dizemos que vamos para a “nova casa velha”, porque está irreconhecível e é o resultado de 9 longoooooos meses de obras.

Para contextualizar, e recuando atrás no tempo, quando soube que estava à espera do Rico Filho achei que fazer obras era uma ideia brilhante. E, tal como todos os que incorrem nesta aventura, fui ingénua ao ponto de acreditar que iriam durar poucos meses e a casa estaria pronta antes do DIA D (aka o Dia-em-que-o-Rico-Filho-disse-olá-ao-mundo) e que iria aproveitar a licença para a pôr em ordem.ERRO. ERRO CRASSO. Quando olho para trás, quase tenho vontade de dar um abanão ao meu Eu do Passado por não ter essa capacidade de discernimento.

A verdade é que tudo se atrasou e as obras já começaram DEPOIS do Rico Filho nascer. Mais exatamente, duas semanas depois. E que desde então, até ao domingo passado, tivemos que fazer um “Regresso ao Passado”, qual Marty McFly , e pedir “sanctuaryyyyyyyyyyy” aos Ricos Avós, a quem, nesta altura, devo mais do que dois lugares no céu pela paciência infinita e boa-vontade com que nos acolheram. Sim. Leram bem. Durante o tempo em que estávamos a aprender a ser pais, e que foi o equivalente ao que levaria a gerar uma nova vida, vivemos numa casa que não a nossa, com mais de metade da nossa vida encaixotada.

Se estão (ou pensam) a passar por algo semelhante, e cometeram a loucura de fazer obras numa das fases mais desafiantes da V/vida, que é a de dar as boas-vindas a um recém-nascido ao mundo, os conselhos que vos posso dar são os seguintes:

  • Têm MM a certeza de que querem fazer obras?!? Olhem que ainda estão a tempo de voltar atrás. Vejam lá se esse desejo de mudança não se resolve com umas almofadinhas novas para a sala;)
  • Ok.Decidiram avançar. O primeiro passo é ACEITAREM que vai tudo demorar o dobro. O dobro do tempo. O dobro do orçamento. O dobro do trabalho. O dobro do sacrifício. O dobro da paciência. Mas depois vai valer a pena. Em dobro.
  • LESS IS (TRULY) MORE. Vai haver uma altura que vão suspirar por coisas que estão guardadas não se sabe bem onde e que são mais difíceis de encontrar do que o pote no fim do arco-íris. A verdade é que não precisam delas. É possível viver meses a fio com 1/3 da roupa, dos sapatos, só com dois colares e sem alisador de cabelo. Vão por mim. Agora nem sabemos o que fazer a tanta abundância.
  • APROVEITEM PARA DESTRALHAR. Esta é a altura ideal para dar uma de Mary Kondo, também conhecida como a diva da arrumação. Eliminem o que não precisam quando empacotarem e voltem a repetir o processo quando chegar aquele dia longínquo de regressar a casa. O truque é não ser demasiado sentimental e terem à mão 4 caixotes: para usar, para dar, para reciclar e para deitar fora. Como acabamos sempre por nos agarrar a uma ou outra peça ou objeto, este processo precisa sempre de duas fases. Usualmente, o cansaço das mudanças joga a nosso favor e apela a que não guardemos itens desnecessários só porque sim.
  • UMA CRIANÇA PEQUENA EQUIVALE A MUITA PARAFERNÁLIA. Quando derem por vocês, já não usa metade da roupa, já não precisa da alcofa e já não cabe no ovo. Esta é mais uma oportunidade para ir mantendo tudo organizado por tamanhos e “passar ao outro e não ao mesmo”. Se tiverem amigos com bebés ou à espera de, emprestem ou dêem,  dependendo se estão a pensar ter outro filho ou não. No caso do não ser uma certeza, há sempre as instituições que tanto precisam ou o OLX/ Grupos de Mães no Facebook.
  • ACEITEM A AJUDA OFERECIDA. A estreia na paternidade vem sempre associada a muitas dúvidas e incertezas e, por xs, isso traduz-se numa necessidade de afirmação e de um querer fazer à nossa maneira. Nenhum problema e faz parte do processo de criação da nossa nova identidade como pais. Mas é bom perceber que existem outras formas de fazer as coisas e que essas não estão necessariamente erradas. Aceitem-nas. É libertador e, nesta fase, vão precisar. Muito. Mesmo.
  • QUEM MUDA DEUS AJUDA. Nada mais certo do que este ditado popular. No final, tudo vai valer a pena. E nada sabe melhor do que rodar a chave na fechadura da NOSSA casa. Pois é aí que somos, verdadeiramente, Felizes. Aguentem as curvas do trajecto, porque o destino vai ser fabuloso:)

 

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