I feel you ( but I don’t want to become you)

No meu passeio diário com o Rico Filho e a “mais velha” ( que é como quem diz a nossa primogénita de quatro patas) cruzei-me com uma mãe que subia a rua, apressada, com os seus dois filhos. Contava ao marido, ao telefone, como tinha corrido a consulta no pediatra que é meu vizinho na porta ao lado. O mais pequeno, ao ver o meu filho no carrinho, parou e disse: que amor. Eu sorri. A mãe tb mas seguiu o seu caminho.

 Fomos subindo a rua, mais ou menos a par e passo, e ele ia parando, interpelando a mãe, que prosseguia o telefonema. Mãe, já viste q o cão vai solto, exclamava. E a mãe respondeu, rapidamente, que sim e que não devia fazer mal ou eu não o levaria sem trela (e sim, sei q estava a infringir a lei mas foi mesmo só um bocadinho;p). Mais uns metros e nova questão. Mãe, posso fazer uma festa ao cão, pediu. Aí a mãe impacientou- se e apressou- o com um sonoro não e uma ordem para acompanhar o ritmo dela q tinha pressa.

 A partir desse momento, tudo se precipitou. O miúdo insistiu.  A mãe exasperou-se. Ele perguntou porquê. Ela respondeu torto e dirigiu uma reprimenda à irmã que seguia,sossegada, ao seu lado. Eu, percebendo 0 meu papel como elemento destabilizador e por empatia com aquela mãe, tentei andar mais depressa para sair do campo de visão mas não fui bem sucedida.  Nova súplica e a mãe explodiu. Estão a ver porque é q vocês me tiram do sério, exclamou.  Mal posso esperar para que estejam os dois deitados para não vos aturar, rematou.  E puxou os dois braços q arrastou até desaparecer no cimo da minha rua.

Eu fiquei ali. Parada. Carrinho numa mão e trela na outra.  A pensar nas palavras daquela mãe, quem não julgo porque há muito q deixei de acreditar q podemos ter a veleidade de saber o q se passa na vida alheia para podermos fazer juízos de qualquer espécie.  Fiquei a pensar em como deveria estar cansada e que, muito provavelmente, tinha saído a correr do trabalho para enfrentar o trânsito, vencer o bingo de encontrar um lugar de estacionamento e conseguir chegar a horas à consulta.  Fiquei a pensar q podia ter tido uma noite má, com um deles doente a acordar e o outro a exigir atenção. Fiquei a pensar q se calhar depois de tanta correria tinha esperado demasiado no consultório.  Que estava preocupada pq ainda tinha q ir ao supermercado antes de fazer o jantar e enfrentar toda a rotina familiar de final de dia.  Fiquei a pensar q todos nós temos momentos dos quais não nos orgulhamos enquanto pais e que não há uma só mãe que não suspire pela hora de deitar para ter uns minutos para si (nem q seja para adormecer de imediato no sofá). Sim.  Fiquei a pensar em tudo isto mas, também, que os nossos filhos nao têm culpa do desgaste q o dia-a-dia provoca e que só nos têm em bocadinhos e merecem ver uma parte boa de nós e não que lhes digamos q tudo o que queremos é que chegue a hora de os enfiar na cama ( aka vê-los pelas costas). E tudo isto fez com que o que ficasse, verdadeiramente a pensar, foi que não quero ser aquela mãe. E que tenho q me lembrar disto naqueles dias em q me sinto exausta e sem forças porque é nesses dias que é mais fácil esquecer-me da mãe que desejo ser e que o Rico Filho merece.  Não faço promessas de o conseguir mas prometo lembrar-me do olhar daquele menino quando um dia me apetecer arrastar uma mãozinha pequena por uma qualquer rua acima…

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