Stop the game

Hoje, no meu passeio diário com o Rico Filho e a “maivelha”, seguia tranquila da vida quando passo por duas mães que empurravam os seus carrinhos. Uma delas comentou, embevecida, o facto de ir com um bebé e um cão pela trela, tão bem comportados. Falavam entre elas e não comigo. A outra ( não sei se lhe teria corrido mal o dia mas pelo comentário que se segue quero acreditar que sim), fez um esgar azedo e exclamou: pois, se eu fosse uma dessas mães dondocas que não faz nada também ia assim fresca e fofa.

Segui o meu caminho como se não fosse nada comigo mas, na verdade, o que deveria ter dito a essa senhora é que não podia estar mais enganada. Dizer-lhe que trabalho e que acordo às 6 e meia da manhã para sair de casa às 7 e meia, com o Rico Filho orientado, e enfrentar a A5 para estar no escritório às 8. Que a maior parte das xs o faço dps de noites mal dormidas, com direito a despertares noturnos para biberon a horas impróprias, nas quais eu e o Rico Pai no revezamos para fazer aquilo que costumo chamar The Walking Dead. Que raramente consigo ter tempo para secar o cabelo e hoje por acaso foi um daqueles dias de luxo em que até o estiquei. Que o meu trabalho exige responsabilidade e dedicação e muito jogo de cintura e ginástica para que todos os 2 Dos  e imponderáveis caibam na agenda. Que hoje estive em 4 reuniões diferentes, a somar a tudo o resto e que uma x mais tive que usar de toda a diplomacia para conseguir sair às 5, para voltar a enfrentar o trânsito, ainda fazer umas compras e estar em casa à hora de saída da minha empregada, que tb tem direito à vida e ter os seus horários respeitados (talvez seja nessa parte que sou dondoca pq optei por ter o meu filho em casa ao invés da creche, apesar do investimento financeiro q isso representa) . Que quando chego a casa, só tenho tempo de descalçar os sapatos e pôr uns ténis pq há um cão que tem q ir à rua antes do ritual dos banhos, jantares e odisseia diária de adormecer um bebé que teima em não desligar. Foi precisamente nesse momento que esta senhora me encontrou. Naquela hora diária pela qual corro todo o dia de modo a poder levar o meu filho e cão a brincarem no parque e passar algum tempo com eles q n seja apenas realizar tarefas que as rotinas quotidianas nos impõem.

Mas o que também deveria ter dito é que, embora não sendo o meu caso, as mães que ficam em casa não têm a vida facilitada e que ser mãe a tempo inteiro dá (muito) trabalho.

Devia ter dito tudo isto mas não disse. Pq o que consegui pensar e sentir naquele momento foi incompreensão perante esta necessidade à qual assistimos diariamente de julgar os outros. Uma necessidade que nos casos das mães toma proporções exacerbadas, com muitos adeptos do mom shaming , como vimos nos mais recentes casos da Carolina Deslandes ou Carolina patrocínio ( será por terem nomes começados por C?:p). O que sugiro é q todas nos concentremos mais em nós e em criar os nossos momentos felizes e fazer o q melhor sabemos.  Com certos e errados. Dias bons e piores. Mas sem censuras e apontares de dedo, que a vida já é cruel e faz isso tantas xs, sem precisar de ajuda de puristas de pacotilha.

Stop the game. Play your own.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s